Você sabe quanto realmente ganha da sua empresa? A pergunta parece simples, mas em muitas gráficas e empresas de comunicação visual a resposta é “depende do mês”. O dono retira o que o caixa permite, paga uma conta pessoal com o dinheiro da empresa quando aperta e, no fim, não sabe dizer quanto foi salário e quanto foi lucro.

Uma situação bastante comum é ouvir que a empresa não dá dinheiro. Os pedidos entram, a produção acontece, o faturamento existe, mas a sensação continua sendo a mesma: o dinheiro nunca sobra. Fatores externos podem influenciar, mas muitas vezes o problema está em outro lugar: o empresário não tem clareza sobre o que retira da empresa e o que fica no negócio. Definir um pró-labore é o primeiro passo para separar essas duas coisas.

O que é pró-labore?

Pró-labore é a remuneração do empresário pelo trabalho que ele faz na empresa: atender, orçar, produzir, instalar ou administrar. Ele funciona como o salário do dono e deve ter valor e data de pagamento definidos.

Pró-labore é diferente de lucro. O lucro é o que sobra depois de pagar todos os custos e despesas da empresa, incluindo o próprio pró-labore. Misturar os dois é um dos erros mais comuns e mais prejudiciais na gestão de um pequeno negócio.

Quando o pró-labore não está definido, o empresário tende a retirar valores irregulares ao longo do mês, conforme o caixa permite. Em alguns meses retira mais, em outros menos. Isso gera dois problemas: o empresário não sabe exatamente quanto ganha e a empresa não consegue planejar suas finanças, porque nunca sabe quanto vai sair.

Como definir um pró-labore saudável?

Um pró-labore saudável equilibra duas coisas: o valor justo pelo trabalho que o dono realiza e a capacidade da empresa de pagar esse valor todo mês, sem depender de um mês bom.

Um caminho prático para chegar a esse número:

  1. Liste as funções que você exerce hoje na empresa, como vendas, orçamentos, produção, compras e financeiro.
  2. Estime quanto custaria contratar alguém para fazer essas funções na sua região.
  3. Olhe o histórico de entradas e despesas dos últimos meses para ver quanto a empresa consegue pagar com regularidade.
  4. Defina um valor fixo e uma data de pagamento, como faria com qualquer funcionário.
  5. Revise o valor quando o resultado da empresa mudar de forma consistente, e não a cada mês bom ou ruim.

Na prática, muitos empresários descobrem que estão retirando muito mais ou muito menos do que deveriam. Quando o pró-labore está acima da capacidade da empresa, o negócio perde fôlego e começa a faltar dinheiro para fornecedores e impostos. Quando está abaixo, o empresário não consegue manter uma vida financeira estável e acaba misturando contas pessoais com as da empresa.

O pró-labore formal também tem encargos, como a contribuição ao INSS, e a forma correta de registrá-lo depende do regime tributário da empresa. Por isso, vale alinhar o valor e o formato com o seu contador.

Qual a diferença entre pró-labore e lucro?

O pró-labore remunera o trabalho do dono. O lucro remunera o risco e o dinheiro investido no negócio. Os dois podem existir ao mesmo tempo, mas precisam ser registrados separadamente.

Quando essa separação não existe, o empresário perde a visão real do desempenho da empresa. Pode achar que o negócio está bem quando, na verdade, está consumindo o que deveria ser reserva. Ou pode achar que está no prejuízo quando está apenas confundindo o próprio salário com custo extra. Essa confusão é uma das causas do faturamento sem lucro e também atrapalha qualquer análise de resultado, como a DRE da empresa.

Organizar o pró-labore ajuda o empresário a ter uma relação mais saudável com o negócio e faz a empresa passar a ser gerida com base em informações reais, e não em percepções.

Como separar pró-labore e retiradas no financeiro?

Separar pró-labore de distribuição de lucros depende de como cada saída de dinheiro é registrada. Se a retirada não é anotada, ou é lançada como uma despesa qualquer, ela some do controle, um problema explicado em detalhe no artigo sobre falta de registro.

Um sistema de gestão para gráficas e empresas de comunicação visual ajuda a classificar cada movimentação de acordo com sua natureza, evitando misturar a remuneração pelo trabalho dos sócios com a retirada de resultado. Na Atrupe, essa organização faz parte do Método Atrupe, a implantação gradual do sistema, que começa pelos registros financeiros básicos e deixa a leitura do resultado mais confiável com o tempo.

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